Número de mortos em incêndio de prédio residencial de Londres sobe a 12

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Polícia investiga se revestimento colocado na fachada em reforma de 2016 teria estimulado o alastramento das chamas e apura sinais de falhas múltiplas no sistema de prevenção e fuga.

LONDRES –   Subiu para 12 o número de mortos no incêndio que destruiu na madrugada desta quarta-feira um prédio de apartamentos de 24 andares na zona oeste de Londres. A polícia investiga as causas, mas há sinais de falhas múltiplas no sistema de prevenção.  O revestimento colocado na fachada em reforma no ano passado teria estimulado o rápido alastramento das chamas.   Dos 68 feridos, 18 estão em estado grave e há muitos desaparecidos.

Mais de 200 bombeiros, com o auxílio de 40 caminhões, combateram o fogo por 16 horas no prédio que abrigava entre 400 e 600 moradores – a maioria deles de baixa renda – próximo aos bairros nobres de Kensington e Chelsea. A maior parte dos sobreviventes foi resgatada ainda de pijamas. “Vimos muitos vizinhos gritando por ajuda, adultos e crianças”, disse a moradora Amina Sharif. “Não podíamos fazer nada e vimos tudo colapsar em meio aos gritos.”

Intensa fumaça é vista no entorno da torre residencial atingida por incêndio no oeste de Londres

Alguns moradores tentaram amarrar lençóis uns nos outros para escapar escalando as paredes do prédio de 24 pisos – as primeiras informações divulgadas na madrugada desta quarta-feira afirmavam, equivocadamente, que a Torre Grenfell teria 27.

“Não sei o que aconteceu com quem tentou descer pelo lado de fora”, afirmou o morador Saimar Lleshi. Bombeiros de Londres continuavam combatendo pequenos focos de incêndio no local durante a tarde desta quarta-feira e iniciaram um trabalho de inspeção nos andares onde o fogo já havia sido completamente apagado.

Investigações. Em pronunciamento, a primeira-ministra britânica, Theresa May, lamentou a tragédia e prometeu providências “Assim que o local for considerado seguro e quando conseguirmos identificar as causas do incêndio, teremos a investigação adequada sobre o incêndio”, disse. “Quaisquer lições a serem aprendidas serão levadas em conta e as ações necessárias serão tomadas.”

O Corpo de Bombeiros de Londres declarou que o incêndio foi sem precedentes, tanto em tamanho quanto na rapidez com a qual as chamas se espalharam. Os bombeiros chegaram a avançar até o 20.° andar na operação de resgate. A entidade lembrou que ainda era cedo para definir as causas das chamas, mas havia sinais de falha no sistema de prevenção e fuga. O risco de desmoronamento foi descartado.

De acordo com alguns moradores, não foi ouvido alarme de incêndio quando a fumaça começou. Nos últimos meses, houve repetidas reclamações contra as limitações do sistema de combate a incêndios do edifício desde a última reforma, realizada em 2016.

Nesta obra, foram instaladas portas corta-fogo e os moradores foram orientados a, em caso de incêndio, permanecer em suas residências. O sistema seria capaz de resistir pelo menos 30 minutos, o que daria tempo para a chegada dos bombeiros. Essa tática não funcionou porque o fogo avançou rapidamente pelo exterior do edifício.

Documentos obtidos pelo jornal britânico Independent indicam que o revestimento usado no prédio provavelmente ajudou a espalhar as chamas por todo o edifício e foi colocado durante a reforma para melhorar a fachada, em um projeto de revitalização da região.

 

 

Ainda de acordo com o diário, o revestimento tinha como objetivo aproximar o visual do prédio de edifícios vizinhos em áreas nobres do norte de Kensington. “Em virtude da altura da torre e por ela ser visível em áreas adjacentes ao Projeto de Conservação de Ladbroke, as mudanças vão melhorar sua aparência, principalmente quando vista de bairros próximos”, diz o documento de 2014 do conselho de obras de Kensington e Chelsea. A empresa Rydon, responsável pela reforma, prometeu cooperar com as investigações.

Críticas. O líder do Partido Trabalhista britânico, Jeremy Corbyn, sugeriu que os cortes de verba dos últimos anos podem ter contribuído para o incêndio.

“Se você nega às autoridades locais o financiamento que elas precisam, existe um preço a se pagar”, disse ele à rádio LBC.

 

Fonte: O Estadão

 

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