Operações da PF combate tráfico internacional de drogas em portos; Produto era comprado na Bolívia

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Os portos marítimos brasileiros se tornaram um ponto de passagem fundamental na rota do tráfico de cocaína entre os países da América do Sul que a produzem e o mercado consumidor na Europa.

A PF (Polícia Federal) realiza duas operações, em seis Estados, nesta terça-feira, 10, contra quadrilhas que colocam drogas dentro de contêineres utilizados no transporte de mercadorias legais via portos para o exterior. As ações “Oceano Branco” e “Contentor” cumprem 104 mandados de busca e apreensão45 de prisão preventiva15 de prisão temporária e 12 conduções coercitivas (quando a pessoa é levada para prestar esclarecimentos).

O entorpecente era comprado na região de fronteira, geralmente na área boliviana, e entrava no Brasil em pequenos aviões que pousavam em São Francisco do Sul (SC). “De lá, era levado para chácaras onde era acondicionado em grandes bolsas para posterior inserção em contêineres que sairiam pelo porto de Itapoá”, segundo a PF.

As ações, que envolvem cerca de 450 policiais federais, ocorrem nos Estados de Santa CatarinaRio Grande do SulSão PauloRio de Janeiro, Pernambuco Paraíba. Também foram realizados sequestros de bens móveis e imóveis, além do bloqueio de contas bancárias. A Receita Federal também participa das ações com 25 servidores.

Nas duas operações houve apreensões de droga no país e no exterior, em procedimentos de cooperação policial internacional.

No final de setembro, reportagem do UOL mostrou que havia uma rota marítima da cocaína. Os portos marítimos brasileiros se tornaram um ponto de passagem fundamental na rota do tráfico de cocaína entre os países da América do Sul que a produzem e o mercado consumidor na Europa. Narcotraficantes estavam corrompendo trabalhadores portuários, recheando contêineres com drogas e tentando burlar sistema de raio-x.

Pequenos aviões

A operação “Contentor” começou no final do ano passado em Joinville (SC) e, segundo a PF, levou a cinco grandes apreensões de drogas, inclusive na Bélgica. Foram cerca de duas toneladas de cocaína confiscadas.

O entorpecente era comprado na região de fronteira, geralmente na área boliviana, e entrava no Brasil em pequenos aviões que pousavam em São Francisco do Sul (SC). “De lá, era levado para chácaras onde era acondicionado em grandes bolsas para posterior inserção em contêineres que sairiam pelo porto de Itapoá”, segundo a PF.

Essa ação tem ordens judiciais expedidas para Santa Catarina, São Paulo, Pernambuco, Paraíba e Rio de Janeiro.

Drogas dentro de abacaxi em latas

Mais antiga, a operação “Oceano Branco” foi iniciada em março de 2016 em Itajaí (SC). Foram apreendidas seis toneladas de cocaína em doze diferentes ações, sendo seis no Brasil e outras seis na Bélgica, na França e na Espanha.

“A investigação apurou que três grupos criminosos vinham embarcando volumosas quantidades da droga através de contêineres que partiam do complexo portuário Itajaí-Navegantes, escondida em cargas de mercadorias como bobinas de aço, abacaxi em latas e blocos de granito”, aponta a PF.

De acordo com os investigadores, é possível vincular a atuação dos suspeitos a outros carregamentos interceptados por autoridades policiais na Itália, na Dinamarca, na Espanha, na Turquia e na Arábia Saudita, totalizando outras 2,5 toneladas da droga.

As ordenas judiciais são cumpridas em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.

Crimes

Segundo a PF, os investigados poderão ser indiciados pelos crimes de tráfico e de associação ao tráfico internacional de entorpecentes, além do de falsificação de documentos e de uso de documentos falsos.

As penas para cada evento de tráfico internacional podem chegar a 25 anos de prisão, além de 10 anos de reclusão por associação.

Fonte: Folha Uol

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